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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

É verdade!

Faço minhas, estas palavras

O olhar profundo de um cego

Sim, nós incomodamos, eu sei. Porque no fundo, lá no fundo, vocês têm medo de ficarem cegos; vocês têm
medo do escuro, da velhice, da diabetes e do glaucoma. E vocês têm medo do escuro porque nele é muito fácil encontrar o desconhecido, a cadeira no caminho, o orelhão
na testa, o poste na cara, o susto. Vocês têm medo do escuro porque nele vocês se sentem tão vulneráveis, tão fragilizados, tão pobrezinhos, tão impotentes, tão
improdutivos. Pois devo informar-lhes que é como VOCÊS se sentem no escuro, e não como eu me sinto após uma vida sem visão física. Vocês têm medo do escuro porque
nele está o espelho da sua verdade mais profunda, nua e crua, sem a estética das cores e formas, sem maquiagem, sem roupa da moda, sem nada do que vocês estão acostumados
a ver. Vocês têm medo de se olharem profundamente. Logo nós incomodamos porque nossa cegueira lembra vocês de seus piores medos... Sim, nós incomodamos vocês, é
verdade. Porque muitos de nós somos felizes, produtivos, trabalhamos e fazemos dinheiro, compramos casa, formamos família, cozinhamos, cuidamos da casa com independência,
e muitas vezes, sobrando um tempinho, ainda fazemos trabalho voluntário, ajudando a outros que não enxergam ou que enxergam. E tudo isso num país nada preparado
para nós. E vocês se vitimizam reclamando da crise. Por outras vezes incomodamos porque ainda muitos de nós pedem esmola no seu caminho de casa, e vocês se lembram
da miséria humana, da desigualdade social, do quanto vocês não fazem para transformar todo este cenário. Vocês têm medo e evitam o mendigo, o malvestido, o mal-encarado,
o mal-apessoado, o cracudo; e nós, muitas vezes, somos ajudados e guiados por qualquer um desses na rua e nem ficamos sabendo quem são, mas precisamos de ajuda
e aceitamos o primeiro braço que se oferece para atravessar a rua conosco. Aliás, não sabemos seus nomes nem suas aparências, mas ficamos sim sabendo quem são:
seres humanos que, como qualquer outro, têm seu lado bom, e às vezes só o que lhes falta é uma oportunidade de exercê-lo. Nós incomodamos porque vivenciamos algo
do qual a maioria de vocês só fala e fala: a fé. Sim, incomodamos vocês, sinto muito; porque com tanta tecnologia, tantos chips implantados, tantos curandeiros,
tantos "milagres" médicos e espirituais por aí, como ainda não nos curamos? Porque na consciência "cega" de vocês, cegueira é doença, e precisa urgentemente ser
curada. Porque se Jesus curou os cegos, sinal de que o certo e saudável é enxergar. Desculpa se agora vou virar seu mundo de cabeça para baixo, mas conto a vocês
que eu e muitos outros cegos temos a consciência de que escolhemos não enxergar, pois só assim aprendemos coisas incríveis que não aprenderíamos de outra forma.
Não, não aprendemos a ser ninja nem super-herói, como vocês viram em quadrinhos, livros e filmes; e desculpa ainda decepcionar vocês, mas não reconhecemos todas
as vozes, não somos todos talentosos para música, não somos todos fluentes em Braille e nem todos gostamos de usar óculos escuros! Somos indivíduos, somos seres
humanos, tão únicos quanto cada um de vocês, cada um de nós teve sua criação, seu ambiente, sua família, sua história. Por fim, incomodamos vocês, porque quando
vocês conhecem um cego acham que já conhecem e compreendem todos os cegos, e quando conhecem o segundo, enxergam que não é nada disso... Incomodamos vocês, porque
não olhamos vocês nos olhos, não damos tchauzinho na rua, não reagimos aos seus apelos visuais e não respondemos quando vocês nos enviam foto sem legenda no Whatsapp,
e assim desafiamos sua zona de conforto, sua forma tradicional de comunicação, suas convicções construídas há séculos. Abra seus olhos e veja: é hora de desconstruir...
para reconstruir um olhar muito mais profundo e amplo sobre nós, sobre vocês mesmos, sobre todos nós juntos e misturados, afinal somos membros de uma só família,
a família humana. Sim, você tem cegos na família. "Incomodem" também, repassando este texto.

Assinado: um cego




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"Encontre dentro de seu coração a energia
para ser o artista de sua criação,
O sol da vida está dentro de você..."
(Roberto Shinyashiki)


Angela Aparecida Gimenes

Mestra em Reiki
Cristaloterapelta

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Miguel Pereira - RJ

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Ressaca emocional existe de fato e influencia memória

Universidade de Nova York (EUA)
Publicada na revista Nature Neuroscience

Ressaca emocional e memória

Experiências emocionais fortes podem induzir estados psicológicos e
estados internos da mente que persistem por muito tempo após a
experiência emocional ter terminado.

A comprovação da existência dessa "ressaca emocional", publicada na
revista Nature Neuroscience, mostra que esse período de turbulência
emocional influencia a maneira como abordamos e como nos recordamos das
experiências tidas a seguir, por mais simples que sejam.

Sabe-se há algum tempo que experiências emocionais importantes - como
casamentos, funerais, primeiros beijos, eventos históricos, parto ou a
morte de um ente querido - são mais lembradas do que as não-emocionais,
mesmo anos mais tarde.

No entanto, agora se demonstrou que as experiências não-emocionais que
se seguem à experiência emocional também são melhor lembradas no futuro
- justamente porque elas ocorrem no período de "ressaca emocional".

Colorindo as experiências

"A forma como nos lembramos dos eventos não é apenas uma consequência do
mundo externo que experimentamos, mas também é fortemente influenciada
por nossos estados internos - e esses estados internos podem persistir e
colorir as experiências futuras," explica Lila Davachi, da Universidade
de Nova York (EUA).

"A emoção é um estado de espírito. Estes resultados deixam claro que
nossa cognição é altamente influenciada por experiências precedentes e,
especificamente, que os estados cerebrais emocionais podem persistir por
longos períodos de tempo," acrescentou.

Para identificar esse período de ressaca emocional, os pesquisadores
analisaram imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) do cérebro
dos voluntários. Os exames mostram que os estados cerebrais associados
com experiências emocionais alteram o modo como outras experiências
tidas a seguir, sem cunho emocional, são lembradas no futuro - sua
memorização é significativamente mais forte.

Em resumo, a experiência emocional cria um estado que "colore" todos os
eventos ocorridos durante esse período de ressaca emocional, reforçando
a capacidade de sua recordação posterior em comparação com eventos
similares ocorridos fora do período de ressaca emocional.