Rosas de maio - Dot Hutchison
Quatro meses se passaram após a descoberta do Jardim e de suas "borboletas": jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. O inverno está chegando ao fim, e as Borboletas esperam ansiosamente por dias mais quentes e tranquilos.
Para os agentes Brandon Eddison, Victor Hanoverian e Mercedes Ramirez, no entanto, a calma não parece valer: em outra parte dos Estados Unidos, mais uma jovem surge brutalmente assassinada. Os indícios apontam para a ação de mais um serial-killer psicopata, capaz não apenas de matar a sangue frio, mas também de elaborar a cena a ser descoberta: a jovem é descoberta no altar de uma velha igreja, com a garganta cortada e o corpo rodeado de flores.
quinta-feira, 3 de março de 2022
terça-feira, 1 de março de 2022
6#4 PRIMEIRA PESSOA - "SER SURDA NÃO ME IMPEDE DE DEFENDER MEUS FILHOS"
A deficiente auditiva Paola Dino conta a luta que travou para que o
filho Cauã fosse vacinado contra a Covid-19.
SEMPRE ACREDITEI na proteção dada pelas vacinas. Quando surgiram
opções contra a Covid-19, tomei as minhas três doses direitinho. Mas
estava preocupada com a volta para a escola dos meus filhos, Cauã, de 11
anos, e Lilian, de 9, sem que tivessem sido vacinados. Foi quando
soubemos que teria vacinação das crianças também. Estávamos muito
felizes por isso. Meu filho postou a notícia do início da imunização e
eu o parabenizei. Ele queria ser vacinado. Fomos no dia 25 de janeiro a
um posto de saúde de Taubaté (interior de São Paulo), onde moramos.
Chegamos bem cedo porque Cauã queria ser o primeiro a ser imunizado. Não
deu. Já tinha uma pessoa. Expliquei a ele que não tinha problema algum
nisso e que ele seria vacinado. Ficamos uma hora na fila esperando o
postinho abrir. Logo que entramos, vi que tinha uma secretária e duas
enfermeiras. Avisei a elas que eu era surda e pedi, por favor, que
baixassem a máscara para facilitar a comunicação. Faltava acessibilidade
e a máscara dificulta demais na hora de se comunicar. Eu sei fazer
leitura labial e meus filhos me ajudam na interpretação. Eu e meu marido
somos deficientes auditivos.
Demorou um pouco e a enfermeira-chefe, que estava longe, baixou a
máscara para falar comigo. Consegui fazer o cadastro, eram informações
simples e deu tudo certo. Cauã ia ser vacinado primeiro e não tinha
pensado em filmar. A irmã achou que seria bom porque queria mostrar à
avó. A enfermeira não queria que filmasse. Avisou que era só para tirar
foto. Sorte que eu não aceitei. Na hora, meu filho falou em libras que
ia tomar a vacina e fez o sinal de eu te amo para a comunidade surda. A
enfermeira me mostrou a ampola, tirou o líquido, tudo parecia correr
bem. Estávamos muito ansiosos. Mas ela picou o braço dele e não aplicou
a vacina. No mesmo momento disse que ela não tinha injetado o conteúdo
do frasco. Ela saiu correndo e jogou o líquido fora. Começou uma
confusão. A profissional dizia que tinha aplicado a vacina, mas eu sabia
que não. E tinha o vídeo para provar. Pouco antes, havia enviado a
gravação para a advogada da minha família porque fiquei com medo de que
me mandassem apagá-lo. Fiquei muito nervosa. Brigava com elas, mas o
problema é que não me entendiam. Quando falo, as pessoas pensam até que
sou de outro país por causa do jeito como pronuncio as palavras. Mas
continuei defendendo meu filho como podia. Apesar de toda a dificuldade
naqueles minutos, não sairia de lá sem que Cauã tivesse sido vacinado.
Disse a elas que posso ser uma mãe surda, mas não sou boba. Ser surda
não me impede de defender meus filhos.
Chamei minha mãe para ajudar porque não acreditavam em mim. Por
fim, a enfermeira admitiu que havia errado na hora da aplicação por ter
ficado nervosa. Por causa da filmagem? Parece que eu a estava assustando
simplesmente por ser surda. Foi uma enorme falta de empatia. Depois de
tudo, meu menino foi finalmente vacinado e minha filha, também. Postei o
vídeo para que os pais tenham atenção na hora de acompanhar a imunização
de seus filhos. Muita gente não sabe que o deficiente auditivo mantém
preservada a sua parte cognitiva. Eu apresento a questão da deficiência,
mas sou mais do que isso. Tenho autonomia para tocar a minha vida como
qualquer um. Não me limito ao quadrado da minha orelha. Como presidente
da Associação de Surdos de Taubaté, luto para que todos se desenvolvam e
ganhem maturidade, inclusive na hora do voto, para eleger pessoas
corretas. Na nossa cidade, por exemplo, precisamos de uma escola
bilingue que alfabetize em libras. Trabalho para que as outras pessoas
entendam o que é ser deficiente auditivo. É uma luta diária pela inclusão.
Depoimento a Paula Felix (com interpretação em libras de Simone Vecchio)
filho Cauã fosse vacinado contra a Covid-19.
SEMPRE ACREDITEI na proteção dada pelas vacinas. Quando surgiram
opções contra a Covid-19, tomei as minhas três doses direitinho. Mas
estava preocupada com a volta para a escola dos meus filhos, Cauã, de 11
anos, e Lilian, de 9, sem que tivessem sido vacinados. Foi quando
soubemos que teria vacinação das crianças também. Estávamos muito
felizes por isso. Meu filho postou a notícia do início da imunização e
eu o parabenizei. Ele queria ser vacinado. Fomos no dia 25 de janeiro a
um posto de saúde de Taubaté (interior de São Paulo), onde moramos.
Chegamos bem cedo porque Cauã queria ser o primeiro a ser imunizado. Não
deu. Já tinha uma pessoa. Expliquei a ele que não tinha problema algum
nisso e que ele seria vacinado. Ficamos uma hora na fila esperando o
postinho abrir. Logo que entramos, vi que tinha uma secretária e duas
enfermeiras. Avisei a elas que eu era surda e pedi, por favor, que
baixassem a máscara para facilitar a comunicação. Faltava acessibilidade
e a máscara dificulta demais na hora de se comunicar. Eu sei fazer
leitura labial e meus filhos me ajudam na interpretação. Eu e meu marido
somos deficientes auditivos.
Demorou um pouco e a enfermeira-chefe, que estava longe, baixou a
máscara para falar comigo. Consegui fazer o cadastro, eram informações
simples e deu tudo certo. Cauã ia ser vacinado primeiro e não tinha
pensado em filmar. A irmã achou que seria bom porque queria mostrar à
avó. A enfermeira não queria que filmasse. Avisou que era só para tirar
foto. Sorte que eu não aceitei. Na hora, meu filho falou em libras que
ia tomar a vacina e fez o sinal de eu te amo para a comunidade surda. A
enfermeira me mostrou a ampola, tirou o líquido, tudo parecia correr
bem. Estávamos muito ansiosos. Mas ela picou o braço dele e não aplicou
a vacina. No mesmo momento disse que ela não tinha injetado o conteúdo
do frasco. Ela saiu correndo e jogou o líquido fora. Começou uma
confusão. A profissional dizia que tinha aplicado a vacina, mas eu sabia
que não. E tinha o vídeo para provar. Pouco antes, havia enviado a
gravação para a advogada da minha família porque fiquei com medo de que
me mandassem apagá-lo. Fiquei muito nervosa. Brigava com elas, mas o
problema é que não me entendiam. Quando falo, as pessoas pensam até que
sou de outro país por causa do jeito como pronuncio as palavras. Mas
continuei defendendo meu filho como podia. Apesar de toda a dificuldade
naqueles minutos, não sairia de lá sem que Cauã tivesse sido vacinado.
Disse a elas que posso ser uma mãe surda, mas não sou boba. Ser surda
não me impede de defender meus filhos.
Chamei minha mãe para ajudar porque não acreditavam em mim. Por
fim, a enfermeira admitiu que havia errado na hora da aplicação por ter
ficado nervosa. Por causa da filmagem? Parece que eu a estava assustando
simplesmente por ser surda. Foi uma enorme falta de empatia. Depois de
tudo, meu menino foi finalmente vacinado e minha filha, também. Postei o
vídeo para que os pais tenham atenção na hora de acompanhar a imunização
de seus filhos. Muita gente não sabe que o deficiente auditivo mantém
preservada a sua parte cognitiva. Eu apresento a questão da deficiência,
mas sou mais do que isso. Tenho autonomia para tocar a minha vida como
qualquer um. Não me limito ao quadrado da minha orelha. Como presidente
da Associação de Surdos de Taubaté, luto para que todos se desenvolvam e
ganhem maturidade, inclusive na hora do voto, para eleger pessoas
corretas. Na nossa cidade, por exemplo, precisamos de uma escola
bilingue que alfabetize em libras. Trabalho para que as outras pessoas
entendam o que é ser deficiente auditivo. É uma luta diária pela inclusão.
Depoimento a Paula Felix (com interpretação em libras de Simone Vecchio)
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