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segunda-feira, 14 de março de 2011

NÃO TEM MISTÉRIO ALGUM CONVIVER COM PESSOAS CEGAS OU COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Cegueira não é o fim do mundo
Procure não encarar a cegueira como desgraça. Não sinta pena do deficiente visual; a Educação Especial e a reabilitação permitem superar muitas dificuldades.

Nem sempre as pessoas cegas ou com deficiência visual precisam de ajuda,
mas se encontrar alguma que pareça estar em dificuldades,
identifique-se, faça-a perceber que você está falando com ela, para isso
pode por exemplo tocar-lhe levemente no braço, e ofereça seu auxílio.
Nunca ajude sem perguntar antes como deve fazê-lo.

Caso sua ajuda como guia seja aceita, coloque a mão da pessoa no seu
cotovelo dobrado. Ela irá acompanhar o movimento do seu corpo enquanto
você vai andando.

É sempre bom você avisar, antecipadamente, a existência de degraus,
pisos escorregadios, buracos e obstáculos em geral durante o trajecto.

Num corredor estreito, por onde só é possível passar uma pessoa, coloque
o seu braço para trás, de modo que a pessoa cega possa continuar
seguindo você.

Para ajudar uma pessoa cega a sentar-se, você deve guiá-la até a cadeira
e colocar a mão dela sobre o encosto da cadeira, informando se esta tem
braço
ou não. Deixe que a pessoa sente-se sozinha.

Ao explicar direcções para uma pessoa cega, seja o mais claro e
específico possível, de preferência, indique as distâncias em metros
("uns vinte metros
a sua frente").

Algumas pessoas, sem perceber, falam em tom de voz mais alto quando
conversam com pessoas cegas. A menos que a pessoa tenha, também, uma
deficiência auditiva que justifique isso, não faz nenhum sentido gritar.
Fale em tom de voz normal.

Por mais tentador que seja acariciar um cão-guia, lembre-se de que esses
cães têm a responsabilidade de guiar um dono que não enxerga. O cão
nunca deve ser distraído do seu dever de guia.

As pessoas cegas ou com visão sub normal são como você, só que não
enxergam. Trate-as com o mesmo respeito e consideração que você trata
todas as pessoas.

No convívio social ou profissional, não exclua as pessoas com
deficiência visual das actividades normais. Deixe que elas decidam como
podem ou querem participar.

Proporcione às pessoas cegas ou com deficiência visual a mesma chance
que você tem de ter sucesso ou de falhar.

Fique a vontade para usar palavras como "veja" e "olhe". As pessoas
cegas as usam com naturalidade.

Não fale sobre a cegueira como se fosse a pior desgraça do mundo.
Lembre-se que um deficiente visual com uma orientação adequada, a
educação especial, a reabilitação e a profissionalização conseguem ter
sua vida independente, morar sozinho e em muitos casos sustentar a família com o fruto
de seu trabalho.

A cegueira não é contagiosa, pode deixar seu filho brincar com uma
criança cega. Como toda criança, a criança cega gosta de brincar, pular,
jogar bola, tomar banho de piscina, usar o computador e fazer tudo o que
a criança vidente (criança não cega) gosta de fazer. Desta forma você
pode deixar seu filho brincar e também fazer amizade com uma criança
cega, pois o deficiente visual é um ótimo exemplo de pessoa que sabe
superar barreiras.

Cumprimente seu vizinho, amigo ou colega de trabalho cego,
identifique-se, pois ele não o enxerga. Muitas vezes o deficiente visual
dá a mão como qualquer outra pessoa, pode aperta-la normalmente, você
irá observar que ele não estende a mão com precisão em sua direção, pois
ele não sabe com exatidão a distância que você está dele no momento, não
tenha nenhum receio, pode aperta-la. Quando necessitar afastar-se,
comunique-o. Com isso você evitará a desagradável situação de deixa-lo
falando sozinho, chamando a atenção dos outros sobre si.

Ao dirigir-se a uma pessoa cega chame-a pelo seu nome. Chamá-la de
cego ou ceguinho é falta elementar de educação podendo mesmo constituir
ofensa chamar-se alguém pela palavra designativa de sua deficiência
física.

Quando conversar sobre a cegueira com quem não vê, use a palavra cego
sem rodeios.

Nem todos os cegos são vendedores de vassouras
É preconceituoso achar que as pessoas com deficiência visual só podem desempenhar determinadas profissões. Atualmente, eles são analistas de sistemas,
digitadores, professores, operadores de telemarketing, psicólogos, montadores de peças etc. profissões que exigem escolaridade e treinamento equivalentes aos que
se
requer das demais pessoas.

Hoje o deficiente visual, acessa a Internet através de programas que
sonorizam os computadores, gosta de ouvir rádio, televisão, ir ao
teatro, restaurantes, shopping, shows, viajar, praticar esportes entre
outras coisas. Desta forma não tenha medo de falar sobre atualidades com ele.
Porém, quando ele perguntar, descreva a cena, a ação e não os ruídos e
diálogos, pois estes ele escuta muito bem.

Não preciso dar comida na boca da pessoa com deficiência visual?

Não, Descreva os alimentos servidos, faça o prato para ela e explique onde está a comida no
prato. Ela pode falhar algumas vezes, mas se arranjará sozinha.

Não pense que todas as pessoas cegas são iguais, não generalize
aspectos positivos e negativos de uma pessoa cega que você conheça,
estendendo-os aos outros cegos. Não se esqueça de que a natureza dotou a
todos os seres de diferenças individuais mais ou menos acentuadas. O que
os cegos têm em comum é a cegueira, porque cada um tem sua própria
maneira de ser.

Pelo fato do cego não enxergar as expressões fisionômicas e os gestos
das pessoas, quando você estiver conversando com ele fale sobre seus
sentimentos e emoções, para que haja um bom relacionamento.

A pessoa cega tem condições de consultar o relógio (próprio para
cego), discar o telefone, assinar o nome, andar na rua sozinha,
Cozinhar, cuidar dos filhos e da casa, fazer compras, não
havendo motivo para que se exclame "que extraordinário" ou "que
maravilha".

O uso de óculos escuros para os cegos tem duas finalidades: de
proteção do globo ocular e estética.

Ao notar qualquer incorreção no vestuário de uma pessoa cega
comunique-lhe, para que ela não se veja na situação desagradável de
suscitar a piedade alheia.

Não empurre o levante a pessoa com deficiência visual para entrar no ônibus. Coloque sua mão sobre a alça externa vertical e ela subirá sozinha.

Não o deixe na mão
Quando você estiver no ponto do ônibus e chegar um deficiente visual pedindo para avisar quando sua condução chegar, não se esqueça de fazê-lo. Caso seu
ônibus chegue antes, avise outras pessoas, se não houver mais ninguém, avise o portador de deficiência, pois ele confiou em você.

Quando uma pessoa com deficiência visual for entrar ou sair de um carro, preste muita atenção antes de bater a porta, para não prender os dedos
dela, eles são preciosos!

Nem todos os cegos são pessoas carentes. Não ofenda: só dê dinheiro se a pessoa for tão pobre que precise pedir ajuda.

Se você conhece pessoas com deficiência visual ou que tenham membros da família com essa deficiência e que estejam em idade reprodutiva, oriente-as para
procurar um serviço de aconselhamento genético. Essa é a única forma de saber se há possibilidade de Ter filhos com essa deficiência.

Se você conhece um bebê com problemas visuais, oriente a família para levá-lo a uma clínica ou escola especializada o mais cedo possível. Não se deve esperar
que ele cresça para receber tratamento adequado. Quanto mais cedo for atendido, maiores chances terá de superar suas dificuldades.


Lembre-se: Nunca substime uma pessoa cega, você pode se surpreender.

Esse texto, recebi de um amigo por e-mail e dei uma pequena editada
nele.

Sugestões para quando você encontrar uma pessoa com deficiência.

Faça isso e você verá o quanto é importante e enriquecedor aprendermos a conviver com a diversidade!

Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma
pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir
desconfortáveis diante do "diferente".

Esse desconforto diminui e pode até mesmo desaparecer quando existem
muitas
oportunidades de convivência entre pessoas deficientes e não
deficientes.

Não faça de conta que a deficiência não existe. Se você se relacionar
com uma pessoa deficiente como se ela não tivesse uma deficiência, você
vai
estar ignorando uma característica muito importante dela. Dessa forma,
você não estará se relacionando com ela, mas com outra pessoa, uma que
você
inventou, que não é real.

Aceite a deficiência. Ela existe e você precisa levá-la na sua devida
consideração.

As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas
próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas.

Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do
que uma pessoa não deficiente.

Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter
dificuldade para realizar algumas actividades e, por outro lado, poderá
ter extrema habilidade para fazer outras coisas. Exactamente como todo
mundo.

A maioria das pessoas com deficiência não se importa de responder a
perguntas, principalmente aquelas feitas por crianças, a respeito da sua
deficiência e
como ela realiza algumas tarefas. Mas, se você não tem muita intimidade
com a pessoa, evite fazer muitas perguntas muito íntimas.

Quando quiser alguma informação de uma pessoa deficiente, dirija-se
directamente a ela e não a seus acompanhantes ou intérpretes.

Sempre que quiser ajudar, ofereça ajuda. Sempre espere sua oferta ser
aceita, antes de ajudar. Sempre pergunte a forma mais adequada para
fazê-lo.
Mas não se ofenda se seu oferecimento for recusado. Pois, nem sempre, as
pessoas com deficiência precisam de auxílio. Às vezes, uma determinada
actividade pode ser mais bem desenvolvida sem assistência.

Se você não se sentir confortável ou seguro para fazer alguma coisa
solicitada por uma pessoa deficiente, sinta-se livre para recusar. Neste
caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar.

As pessoas com deficiência são pessoas como você. Têm os mesmos
direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos.

Você não deve ter receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Aja com
naturalidade e tudo vai dar certo.

Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza,
sinceridade e bom humor nunca falham.

Dropbox

No final do texto, vai o link do meu convite E também o link para baixar e instalar o
dropbox.

***

Eis a oportunidade de partilhar arquivos facilmente!


Falo do dropbox, um disco virtual, que nos permite, numa fase inicial ficar de imediato com 2 giga disponíveis na web, que podem ser aumentados até 10, caso, posteriormente
enviem também convites. É absolutamente gratuito!

basta apenas copiar o arquivo que queremos disponibilizar para dentro da pasta public, que se encontra em Meus Documentos, dentro da pasta My dropbox, para
que ele comece a fazer o upload! Entretanto, quando este estiver concluído, na systray vai aparecer algo como: all files up to date. Aí, é só voltar à pasta public,
colocar-se em cima do arquivo, tecla de aplicações, copy public link, copiar, ele fica automaticamente na área de transferência!
Em seguida copia-se o link e cola-se
no e-mail que vc vai enviar e pronto, já está feito e seus amigos baixam
com facilidade.


Outra coisa cômoda e interessante, é que, para apagar o arquivo que foi postado,
basta apenas apagá-lo da pasta public.

"Tenha até 10 GB de espaço na web para armazenar o que quiser, com link direto e sincronia com pastas locais." Dropbox é um serviço que permite aos seus usuários
sincronizarem arquivos de computadores diferentes, fornecendo um espaço de 2 GB (com possibilidade de expansão para 10 GB) para que seus usuários armazenem quaisquer
arquivos para compartilhamento, utilizando-se para isso de links diretos ou então da cessão de acesso a outros colegas e colaboradores para utilizarem sua conta.

Armazene o que quiser

O Dropbox é notável por sua grande capacidade de armazenamento gratuito (pelo preço de US$9,99 mensais é possível aumentar este espaço para 50 GB) e também devido
à sua enorme facilidade de uso. Depois de instalado em seu computador, o Dropbox funciona na pasta My Dropbox criada em Meus Documentos.

Lá dentro, você poderá criar novas pastas e para compartilhar qualquer arquivo, apenas mova-os para lá. Simples assim! Recorte ou copie um arquivo e então o cole
na pasta do Dropbox em seu PC e ele começará a ser enviado para o servidor. Depois de algum tempo ele já estará disponível para todos com os quais você compartilha
arquivos.

Até 10 GB de espaço gratuitamente

Ao criar sua conta no Dropbox você tem, gratuitamente, 2 GB de espaço para armazenar tudo o que quiser. Contudo, existe a possibilidade de expandir este espaço
sem
que você precise assinar um dos planos pagos. Isso é feito por meio de indicações de outros usuários para o serviço. Anteriormente já havia a possibilidade de aumentar
seu espaço por meio da indicação do serviço para novos usuários, porém, o limite máximo era de mais 3 GB (totalizando 5 GB).

Agora você pode enviar vários convites e atingir até 10 GB de espaço gratuito para armazenar arquivos na internet. Para conseguir mais 8 GB (limite de expansão
para
atingir os 10 GB) 32 convites seus precisam ser aceitos.

Cada vez que você indica alguém e seu contato passa a utilizar o Dropbox, você ganha mais 250 MB de espaço extra. Para indicar usuários, é preciso acessar sua página
de referências (clique para acessar) e então utilizar uma das opções disponíveis: enviar o link direto do convite (existem opções para compartilhá-lo via Facebook
ou Twitter), enviar um convite para contatos de outras redes (Gmail, Hotmail, Yahoo, etc.) ou então convidar contatos via email.

Envie arquivos pelo site

Além de compartilhar através da pasta My Dropbox em seu computador e de poder acessar os seus arquivos a partir de qualquer computador pelo site do serviço, desta
mesma maneira você também poderá enviar arquivos para que sejam armazenados. Estando em qualquer computador conectado à internet, basta que acesse o site para poder
enviar qualquer arquivo.

Compartilhe seus arquivos

O compartilhamento de arquivos através do Dropbox é bastante eficiente e pode ser feito de diversas maneiras. Além de links diretos, outras pessoas (ou você mesmo)
podem acessar sua conta através do programa em outros computadores. Desta forma, todo o conteúdo de uma pasta compartilhada pode ser acessado via Dropbox em qualquer
computador.

Além da sincronização, é possível também acessar os arquivos armazenados no Dropbox acessando o site do serviço

www.getdropbox.com

e fazendo o login e para
se
conectar a sua conta. Contudo, você não precisa dar os dados da sua conta para outras pessoas, basta que as adicione como colaboradoras ("Collaborators") e então
elas também terão acesso ao conteúdo das pastas compartilhadas.

Fotos

Uma função bastante interessante e bem exercida pelo programa é o compartilhamento de imagens. Todas as imagens armazenadas na pasta Photos, existente em "My
Dropbox,
poderão ser pré-visualizadas e acessadas em sua conta na seção Photos. Esta é uma boa opção para quem quer compartilhar suas imagens de maneira extremamente simples
e rápida.


Link do meu convite:

https://www.dropbox.com/referrals/NTc2Mjg1MDY5

link para baixar e instalar o dropbox:

http://dl.dropbox.com/u/6495151/Dropbox%200.7.110.rar

domingo, 6 de março de 2011

Vamos rir um pouquinho!

Mais uma do Joãozinho!

Joãozinho, depois de ter passado a noite vigiando a irmã que
namorava
no sofá da sala, conta para a mãe tudo o que viu:
- Mãe, a Suzana e o namorado apagaram a maior parte das luzes e
sentaram-se. Ele ficou perto dela e começou a abraçá-la. A
Suzana
deve ter começado a ficar doente visto que a sua face começou a
ficar
vermelha. O namorado deve ter percebido e colocou-lhe a mão por
dentro da camisa para sentir o coração, demorando porém muito
tempo a
encontrá-lo. Penso que ele também começou a ficar doente,
porque
ambos começaram a arfar e a ficar sem respiração. A outra
mão dele
também devia estar fria, porque ele meteu-a por baixo da saia da
Suzana, que começou logo a escorregar para o fundo do sofá e a
dizer
que se sentia muito quente.
Depois de algum tempo consegui ver o que estava realmente a provocar
aquela doença: uma enguia enorme tinha saltado das calças dele,
deveria ter uns 17 cm de comprimento. Assim que avistou-a Suzana
agarrou-a para impedir que ela fugisse. Disse então que era a
maior
que já tinha visto até aquele dia! De repente, não sei por
que,
Suzana ficou brava e tentou matá-la comendo-lhe a cabeça, mas
parece
que não conseguiu e ainda deixou-a escapar.
Nisso o namorado dela tirou um saco de plástico do bolso e enfiou
a
enguia dentro, para que ela não tornasse a escapar. Ao ver isso,
Suzana tentou ajudá-lo deitando-se de costas e prendendo a enguia
entre as suas pernas enquanto o namorado deitava por cima dela. Nisso
a enguia começou a se debater, mas eles, corajosamente, tentavam
esmagá-la entre eles. Suzana gemia, gritava e o namorado quase que
virava o sofá de tanto esforço. Passado algum tempo, ambos
continuavam a gemer, a mexer até que soltaram um grande suspiro de
alívio. O namorado dela levantou-se e por certo tinham matado a
enguia. Eu sei que estavamorta porque a vi dependurada. A Suzana e o
namorado estavam cansados da batalha e sentaram-se no sofá e
começaram a confortar-se um ao outro. Para animá-la ele
começou a
beijá-la e, diabos me levem se a enguia que estava morta, não
voltou
a saltar e a luta recomeçou novamente.
Mãe, eu penso que as enguias são como os gatos, tem sete vidas
ou
mais! Desta vez a Suzana saltou para cima dele e tentou matar a
enguia sentando-se nela. Depois de uma luta de 35 minutos, acabaram
finalmente por matar a enguia. Eu sei que desta vez ela morreu,
porque vi o namorado da Suzana esfolá-la e jogar a pele pela
janela.

Meus sustos

Juremir Machado da Silva

Na semana passada, escrevi aqui sobre certos exageros na relação dos
seres humanos com seus animais de estimação. Alguns leitores ficaram
assustados com a minha opinião. Eu também tenho os meus sustos.

Eu me assusto quando ouço alguém dizer que quanto mais conhece os
homens, mais prefere os animais. Eu me assusto tentando imaginar com que
seres humanos essas pessoas convivem. Eu me assusto quando alguém me diz
que o afeto mais sincero nos é dado pelos animais. Mais uma vez, eu me
assusto pensando nos amigos, amores e parentes de quem diz isso.

Eu me assusto quando vejo crianças pedindo esmola e cachorros com hora
marcada para fazer as unhas e pelos. Eu me assusto quando sei que
pessoas gastam mais de mil reais por mês com seus cachorrinhos enquanto
milhões de brasileiros não ganham isso para sustentar a família.

Eu me assusto quando vejo alguém beijar cachorro na boca, carregá-lo em
carrinho de criança ou chamá-lo de meu filhinho. Eu me assusto quando
vejo carnívoros contumazes pregarem moral em defesa dos animais. Eu me
assusto ao pensar que a mesma sociedade que protege os cães lambe os
beiços comendo um cordeirinho mamão assado. Por que essa discriminação
com bois, porcos, ovelhas, peixes e galinhas? Eu me assusto pensando que
nós, carnívoros, somos cúmplices de assassinatos em massa a cada dia.

Eu me assusto com quem maltrata animais e com quem confunde criticar
exageros dos seres humanos com não gostar de animais. Eu me assusto
quando ouço especialistas explicarem que não há perigo com certos cães
desde que eles sejam bem adestrados e conduzidos com guia curta,
focinheira, enforcador e por quem tenha força suficiente para detê-los.
Uau! Para quê? Por quê? Eu sou muito assustado. Eu me assusto com nossas
contradições.

Eu me assusto quando uma criança é morta por um cão feroz, o que
acontece com muita frequência, e só ouço palavras para justificar o
animal.

Eu me assusto com quem diz que só confia no seu cão ou no seu gato. Eu
me assusto com quem afirma só conversar com seu bichinho de estimação.
Eu me assusto ao pensar que isso pode ser o sintoma de uma sociedade
cada vez mais egoísta e umbilical, na qual se prefere destinar os
melhores afetos e recursos para animais do que para crianças
desconhecidas e necessitadas. Eu me assusto com quem diz "eu amo o meu
cachorro" em lugar de "eu gosto muito do meu cachorro". Eu me assusto
pensando que não sou exemplo, não faço a minha parte, mas me choco com
essa sublimação de afetos represados. Eu me assusto muito.

Eu me assusto inventando ironias para tentar entender essa obsessão.
Cães e gatos não correm o risco de fumar crack ou de virar emo. Eu me
assusto pensando que algumas pessoas não se assustam com isso e que se
pode chamar a humanidade de perigosa, mas não um Pit Bull. Eu me assusto
pensando que essa paixão por bichos é um sintoma de solidão. Eu me
assusto pensando que certas pessoas amam seus bichos porque podem
adestrá-los e submetê-los ainda que lhes gabem a autonomia. Como o
personagem de Robert Musil, eu me assusto quando um cavalo é chamado de
genial. E um Buldogue de meu amor.


Correio do Povo, 8 DE FEVEREIRO DE 2011