Hoje, infelizmente, vivemos mais na era do aparentar, que do ser. Muitos
ainda sentem necessidade de mostrar uma imagem ao mundo que não
corresponde ao seu eu real.
Isto acontece porque o ego tem horror de manifestar qualquer tipo de
fraqueza, já que o sucesso e o reconhecimento são tidos como troféus,
aos quais somente os fortes e infalíveis têm direito.
Portanto, admitir alguma fragilidade é considerar-se um fracasso. Mas,
ao contrário do que imaginamos, ser capaz de superar uma suposta derrota
constitui grande virtude.
Digo suposta, porque a realidade da vida é que nem sempre os nossos
anseios serão satisfeitos. Às vezes, o que rotulamos como fracasso é
somente um acontecimento, cuja probabilidade de sucesso ainda não estava
plenamente madura.
Se levarmos em conta os ensinamentos contidos no I Ching, o livro das
mutações, aprenderemos que tudo na natureza tem o tempo certo para
florescer.
E, enquanto as condições ideais para que isto aconteça não estiverem
reunidas, nada se materializará. O que na maior parte das vezes, não
está em nossas mãos determinar.
Então, é importante analisar com isenção cada circunstância da vida,
para que evitemos experimentar o sentimento de inferioridade e, para
compensá-lo, nos transformemos num personagem.
Demonstrar a verdade sobre quem somos, sem a preocupação em negar nossas
fases menos gloriosas, é sinal de uma vida onde a sabedoria e a
maturidade começam a predominar.
Quanto mais autênticos pudermos ser, maiores serão as chances de que o
reconhecimento de nossas virtudes e habilidades aconteça. Porém, antes
que ele nos seja concedido pelo mundo, é essencial que exista
primordialmente, dentro de nós.
por Elisabeth Cavalcante
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